O que separa o advogado comum do advogado independente: ‘coragem, método e consistência’.

Começar na advocacia é, para muitos, um choque de realidade. Você estuda anos, vence o Exame de Ordem, recebe a carteira e, subitamente, descobre que o mercado não abre as portas “por merecimento acadêmico”. Ao contrário: ele cobra repertório prático, maturidade emocional e, sobretudo, capacidade de gerar valor para alguém. O cenário ajuda a explicar essa sensação. Hoje, o Brasil tem mais de 1,57 milhão de inscritos no quadro da advocacia (advogados, estagiários, suplementares e consultores estrangeiros, conforme a estatística diária do CFOAB), o que amplia a concorrência, especialmente no início da carreira. Ainda assim, há um caminho possível — e ele não depende de “sorte”. Depende de método, postura e visão de longo prazo. 1) Por que é tão difícil ser contratado por um escritório A dificuldade não é apenas “falta de vagas”. É, também, um desalinhamento entre o que o recém-inscrito oferece e o que muitos escritórios precisam. Em geral, o escritório quer alguém que: O problema é que o início da carreira costuma ser exatamente o oposto: você tem energia, boa base teórica, mas pouca vivência de execução. Além disso, os dados revelam uma advocacia economicamente pressionada. O Perfil ADV (FGV/OAB) indica que 45% dos advogados(as) têm renda familiar mensal de até 5 salários mínimos, o que evidencia um mercado amplo, porém desigual, com muita gente disputando espaço e precificando por sobrevivência. 2) O “engessamento” dos grandes escritórios: quando a estrutura limita o aprendizado Grandes bancas podem ser escolas — mas nem sempre. Muitas vezes, a lógica industrial da produção jurídica fatiada transforma o jovem advogado em “executor de etapa”: você faz uma parte pequena e repete aquela tarefa por meses. Com isso, você até ganha disciplina. Entretanto, pode demorar para aprender o essencial: Se você percebe que está evoluindo pouco, não é “fraqueza”: é diagnóstico. E diagnóstico serve para ajustar rota. 3) A virada mental: você não “arruma clientes”; você constrói confiança Aqui está o ponto decisivo. A advocacia, no começo, parece depender de contratação. Na prática, ela depende de posicionamento, reputação e constância. E isso se conecta a um dado estrutural do Brasil: em 2024, mais de 1,3 milhão de estudantes concluíram graduação (segundo o Censo da Educação Superior divulgado pelo Inep), o que amplia a competição em diversas áreas profissionais — inclusive no Direito. Portanto, quem inicia bem não é quem “sabe tudo”, mas quem: 4) Empreender na advocacia: o caminho lento, porém sólido, para criar sua carteira Empreender, aqui, não significa “virar vendedor de causas”. Significa tornar-se responsável pelo próprio destino profissional, com ética e consistência. O que funciona (de verdade) no longo prazo Esse ponto é sensível: a OAB permite presença digital e marketing de conteúdo, desde que o conteúdo seja informativo, discreto e sóbrio, vedada a captação indevida e a mercantilização. O marco principal é o Provimento 205/2021 e as regras do Código de Ética e Disciplina. 5) “Não tenho experiência”: por que resolver problemas no começo desenvolve seus talentos O início é um laboratório. Quando você não tem “nome”, o seu diferencial é a sua entrega. Resolver problemas sem experiência faz você desenvolver, quase sem perceber: O segredo é simples: você não precisa saber tudo; precisa saber como descobrir, e como agir com prudência. 6) O roteiro inspirador: 6 etapas para construir uma carreira “por conta própria” com consistência Primeiros 30 dias: fundação 60 a 90 dias: visibilidade ética 3 a 6 meses: primeiros casos e repertório 6 a 12 meses: rede e autoridade 12 a 24 meses: previsibilidade 2 a 5 anos: escala com identidade 7) Outros conhecimentos além do jurídico: o que acelera sua maturidade A advocacia moderna exige interdisciplinaridade. Você não precisa virar “administrador”, mas precisa dominar o mínimo de: Em um país em que a taxa geral de desemprego chegou a 5,6% no 3º trimestre de 2025 (IBGE), a competição por bons espaços profissionais tende a premiar quem reúne técnica + comportamento + habilidades complementares. Conclusão: a advocacia recompensa quem persiste com método A carreira jurídica não é uma corrida de 100 metros. É maratona. Quem vence não é o mais ansioso, nem o mais “apressado”, mas o mais constante. Se você está começando, aceite esta ideia como norte: o começo é difícil porque ele forja o advogado que você vai se tornar. E, se você fizer o básico com excelência — ética, método, estudo e entrega — o mercado, cedo ou tarde, reconhece. Se você precisa de ajuda no início de sua carreira, fale conosco que teremos o prazer de lhe oferecer orientações básicas de forma gratuita nesse momento tão importante de sua vida.

Sheik dos Bitcoins: o golpe dos criptoativos que seduz, captura e ruína — saiba como se proteger e agir na Justiça.

Promessa de lucro “certo”, linguagem sofisticada, fotos de ostentação e um discurso sedutor de “independência financeira”. À primeira vista, parece oportunidade. No entanto, por trás do brilho, muitas vezes existe apenas o velho roteiro da pirâmide financeira, repaginado com vocabulário tecnológico. É exatamente essa a mensagem central do caso noticiado pelo Brasil Urgente (Band) no vídeo “4 bilhões em fraudes e até barras de ouro”: uma operação policial que encontrou bens de alto valor e apura que tudo teria sido bancado com recursos de vítimas atraídas por um esquema travestido de investimento em criptoativos. Ao mesmo tempo, a Polícia Federal, em nota oficial no portal Gov.br, descreveu a Operação Poyais, voltada a apurar fraudes bilionárias com criptoativos no Brasil e no exterior, com cooperação internacional e medidas de bloqueio e sequestro de bens. A seguir, você vai entender o que esse caso ensina, quais são os alertas técnicos e como pessoas e empresas podem se preparar — dentro da lei — para não cair na armadilha (ou para reagir com eficiência se já foram atingidas). 1) O que, em geral, caracteriza a “pirâmide de criptoativos” A pirâmide financeira não depende do ativo “da moda”. Ela sobrevive de um mecanismo simples: os supostos lucros dos primeiros são pagos com o dinheiro dos que entram depois — até que a entrada de novos participantes diminui e o esquema colapsa. A promessa de altos retornos com pouco ou nenhum risco, sustentada por aportes sucessivos, é um traço típico do modelo. Além disso, a PF destacou, no contexto da Operação Poyais, que a estrutura pode envolver plataformas virtuais, empresas vinculadas a criptoativos e estratégias de captação com promessas fora do padrão de mercado, inclusive com alcance internacional. 2) O “efeito ostentação” não prova solvência: ele pode ser parte do golpe O caso noticiado pelo Brasil Urgente reforça um padrão: a ostentação funciona como mecanismo psicológico de validação (“se ele vive assim, deve dar certo”). Contudo, o luxo exibido não é garantia de lastro; pode ser, justamente, o produto do desvio. Em termos jurídicos, isso se conecta a uma realidade frequente: quando a persecução penal avança, aparecem medidas de bloqueio de valores e sequestro de bens, para tentar preservar patrimônio para futura reparação. A própria PF mencionou decretação judicial de sequestro de imóveis e bloqueio, além do cumprimento de mandados e cooperação com autoridades estrangeiras. 3) “Segurança” e “rentabilidade garantida”: o sinal vermelho definitivo Se alguém lhe promete retorno alto, rápido e sem risco, não trate como “chance rara”. Trate como risco máximo. A CVM alerta que estruturas de marketing multinível podem ser indevidamente usadas para dar aparência de legitimidade a pirâmides, e orienta o investidor a observar sinais típicos de irregularidade. Importante reforçar que pirâmides costumam se apresentar como “negócios supostamente legítimos”, mas dependem do ingresso de novos participantes para pagar os anteriores. 4) O ponto que muitos ignoram: “cripto” também virou radar de Estado (e não apenas de mercado) Há um paradoxo que merece abordagem crítica. Enquanto o golpe vende a fantasia de “liberdade absoluta”, a realidade é outra: o Estado vem ampliando rastreabilidade, cooperação internacional e deveres informacionais. Dois exemplos oficiais ajudam a entender: Em outras palavras: a ilusão de invisibilidade patrimonial é perigosa. Para o cidadão honesto, isso pode significar mais proteção e mais capacidade de investigação. Por outro lado, também significa maior controle estatal e maior dever de conformidade, com impactos fiscais e patrimoniais que precisam ser enfrentados com estratégia e legalidade. 5) Se você investiu e desconfia: o que fazer imediatamente (sem improviso) Quanto mais cedo você agir, maior a chance de preservar provas e, eventualmente, alcançar alguma reparação. Esse passo a passo é prudencial: ele não substitui análise do caso concreto, mas evita o erro mais frequente da vítima, que é agir emocionalmente e perder o momento de prova. 6) Se você é empresa ou profissional que atua com cripto: como reduzir risco jurídico e reputacional Quem trabalha com tecnologia, ativos digitais, marketing ou intermediação não pode operar no improviso. Para evitar exposição a responsabilizações e danos reputacionais: Conclusão: proteja seu patrimônio com lucidez — e com Direito O caso “Sheik dos Bitcoins” não é apenas uma reportagem; é um lembrete duro: o golpe evolui, mas a lógica fraudulenta permanece. Por isso, antes de investir, desconfie do extraordinário. Se você já foi atingido, reaja com método, preserve provas e busque orientação técnica.